quarta-feira, 28 de março de 2012

Provocações

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se
dedicava a ensinar o zen-budismo aos jovens. Apesar 
de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar  
qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro  -  conhecido por sua total falta de 
escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica  
da provocação: esperava que  seu adversário fizesse  o  primeiro 
movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar 
os erros cometidos, contra-atacava com  velocidade 
fulminante. 

O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.
Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrota-lo,  
e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram 
contra a idéia, mas  o velho aceitou o desafio.

Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou  a  
insultar o velho mestre.
Chutou  algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto,  
gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive 
seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas  o  velho 
permaneceu impassível. 
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, 
o impetuoso guerreiro retirou-se. 

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos  
e provocações, os alunos perguntaram:
Como o senhor pode suportar tanta indignidade?  Por  que  
não usou sua espada, mesmo sabendo que podia  perder  a  luta,  
ao  invés de mostrar-se covarde diante de todos nos?

Se alguém chega ate você com um presente, e você não o
aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o Samurai.
A quem tentou entrega-lo - respondeu um dos discípulos.

O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse 
o mestre.Quando não são aceitos, continuam pertencendo 
a quem os carregava consigo.

"A sua paz interior, depende exclusivamente de você. 
As pessoas só podem lhe tirar a calma, se você permitir."

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