segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UMA IMPORTANTE OPÇÃO
Emília pertencia a uma família de classe média em um país europeu que sofria crises e carestias depois de uma prolongada guerra nacional. Fome e epidemias ameaçavam a toda a população polonesa. Emília, desde pequena, tinha uma saúde frágil, e não melhorava devido às condições em que vivia. Era ainda muito jovem quando se casou com um operário têxtil e se estabeleceram em uma cidadezinha nova, longe de familiares e conhecidos: Wadovice, a 30 Km de Cracóvia. Pouco tempo depois nasceu seu primeiro filho, Edmundo, um garoto belo, bom aluno, atleta e de personalidade forte. Chegaria a se formar em medicina. Alguns anos mais tarde, em 1915, Emília deu à luz uma menina, que só sobreviveu poucas semanas, por causa das más condições de vida a que a família estava submetida. Catorze anos depois do nascimento de Edmundo, e quase dez da morte de sua segunda filha, Emília se encontrava em uma situação particularmente difícil. Tinha cerca de 40 anos e sua saúde não havia melhorado: sofria severos problemas renais e seu sistema cardíaco se debilitava pouco a pouco devido a uma doença congênita. Além disso, a situação política do seu país era cada vez mais crítica, pois havia sido muito afetado pela recém terminada primeira guerra mundial. Viviam com o indispensável e com a incerteza e o medo de que se instalasse uma nova guerra. Justamente nessas terríveis circunstâncias, Emília percebeu que estava grávida novamente. Apesar de o acesso ao abortamento não ser fácil naquela época, e naquele país tão pobre, existia a opção e não faltou quem se oferecesse para praticá-lo. Sua idade e sua saúde faziam da gestação um alto risco para sua vida. Além disso, sua difícil condição de vida lhe fazia perguntar-se: que mundo posso oferecer a este pequeno? Uma vida miserável? Um povo em guerra? Emília desconhecia que só lhe restavam dez anos de vida, por causa de seus problemas de saúde. Tragicamente, também Edmundo, o único irmão do bebê que esperava, viveria só mais dois anos. Alguns anos mais tarde aconteceria a segunda guerra mundial, e no ano de 1941, o pai da criança que estava por nascer também perderia a vida. Contudo, entre as dificuldades que a assombravam e a vida que nela palpitava, Emilia optou por dar à luz seu filho, a quem chamou de Karol. Ele foi o único sobrevivente da família. Aos 21 anos ficou na terra sem os pais e sem os irmãos. 
O Papa João Paulo II continua vivo em nossa memória. E em cada visita que fez a algum país ainda lembraremos de sua passagem pelas ruas, com milhões de gargantas exaltadas lhe gritando: João Paulo segundo, nós te amamos. Com vários problemas de saúde, o papa João Paulo Segundo se sustentava pela força da oração dos que ainda oravam por ele. Pense nisso! A jovem Emília podia ter decidido por não permitir o nascimento daquele terceiro filho. Mas, que grande homem teria perdido o mundo. Um homem que falava aos dirigentes das nações sobre as doenças da sociedade e que, esperançoso, afirmava que há razões para confiar, para esperar, para lutar, para construir. Pense nisso e jamais diga não à vida. Não importam as situações adversas, nem as nuvens borrascosas que teimam em se apresentar. Se um espírito lhe bater à porta do coração, pedindo acolhida num minúsculo corpo de carne, receba-o. Ele poderá vir para mudar a face do mundo. Ele poderá vir, simplesmente, para enrolar seus braços em seu pescoço e sussurrar aos seus ouvidos: eu te amo, mamãe! 
Fique em paz João de Deus, e tenha certeza que embora o ser humano não tenha assimilado o significado concreto da paz que semeavas, ele começará a pensar diferente após sua breve estadia nesse mundo.

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