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Mensagem do Dia 25 de Novembro de 2010.

Vida - Morte - Vida...
Clarice Pínkola escreve sobre o ciclo da vida-morte-vida. Ela diz que morremos e nascemos muitas vezes, às vezes num mesmo dia, numa mesma semana, num mesmo mês, na mesma vida. Fala que morte não é prenúncio do fim, mas de um início, e mais, diz que é nossa a tarefa de matar, matar algo para permitir que uma nova vida venha.
Matar dentro de nós. Questão de espaço. Faz sentido. É que não comportamos tudo. Não há espaço para tanto sentir.
E quando insistimos em manter vivos certos sentimentos através de respiração artificial, não há espaço para nascer nada de novo.
Então temos que abrir o baú e matar dentro de nós mágoas, dores – velhas ou novas, moções empoeiradas, vícios humanos, escolhas erradas, ferimentos mantidos sangrando, decepções, conceitos obliterados, amores infelizes, imagens amareladas, relacionamentos passados, tristezas, amarguras, pessoas … E por aí vai …
A lista é individual, cada um tem a sua. O que é comum a todos é a responsabilidade de, interiormente, exterminar, dar fim ao que é ruim para que algo novo e bom nasça. É fácil? Não mesmo.
A aparência de qualquer morte é sempre feia e matar internamente não é simples impulso, é decisão pensada, medida e avaliada.
É fato que temos sempre a opção de continuar achando que os barcos do sentir seguem seu curso e, chegada a hora, ultrapassando a linha do horizonte do coração, morrerão por si só.
Mas, na verdade isso significa manter no nosso âmago tudo até o lixo – que amealhamos, em arquivos abarrotados que crescem e crescem embotando a vida, e nos enganarmos dizendo: são arquivos mortos.
É isso ou então encaramos a megera e aprendemos a matar.
O que deverá morrer em mim hoje? Essa é a pergunta que ela sugere para começar e eu , com a experiência de observadora criança,
humildemente acrescento: não basta escolher dentro de nós o que vai morrer, e em seguida matar. É preciso enterrar.
Porque às vezes o que nos fez mal já está pra lá de morto, mas mantemos mumificado dentro de nós, para usarmos como referencial,
para não esquecermos do que sofremos e não cairmos de novo nas mesmas armadilhas. Outro engano. Nada é igual nunca e dores embalsamadas não servem como exemplo, nem protegem, só paralisam.
Não há fórmula.
Não há bulas.
A única maneira de viver é permitir que a vida nasça e morra e de novo nasça, tantas vezes quanto forem necessárias …

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